Um Estado ao serviço dos cidadãos

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 15 Abril 2020
Um Estado ao serviço dos cidadãos
  • José Policarpo

 

 

Infelizmente, nos dias de hoje, não há realidade que não esteja direta ou indiretamente, ligada à crise sanitária que caiu em cima de todos nós. De todos não é bem verdade, porque os hipermercados e os fabricantes de álcool, aqui no sentido próprio, de facto saíram-lhes a “lotaria”, pois as vendas aumentaram e muito.

Acontece, porém, que, aqueles que perderam rendimento por causa deste flagelo, precisam de um governo atuante e verdadeiro. Isto significa que os trabalhadores independentes, empregados em “lay-off” e todos os que com esta crise perderam o seu posto de trabalho, precisam de instrumentos financeiros de apoio muito simplificados.

Na verdade, a produção legislativa nestes últimos tempos foi intensa; como não se podia deixar de esperar dada a natureza da presente situação. Porém, a legislação não é clara no que toca aos apoios sociais. Se há situações da vida que necessitam de celeridade, são todas aquelas com origem na perda de rendimento das pessoas, individualmente consideradas, e das famílias.

Não é bom esquecer, por isso, é bom lembrar-nos, que o estado de emergência decretado pelo Estado português, conduziu muitas pessoas para situações financeiras muito difíceis. Em nome da saúde de alguns dos nossos compatriotas, e, se fosse o meu caso, também, gostaria de ter um ventilador à minha disposição, muitos ficaram com menos rendimentos e até mesmo caíram na “vala” do desemprego.

Em caso algum, devamos escamotear esta realidade, até porque se existisse um serviço nacional de saúde com outro tipo de respostas, poderíamos não necessitar de medidas tão restritivas das liberdades individuais. Ou estarei errado? Se estiver que, me dilucidem, que eu agradecerei generosamente.

Dito isto, cabe ao Estado português, por maioria de razão, acudir a todos aqueles que dele necessitam nesta altura de grande indefinição. A decisão de colocar muitos portugueses em isolamento social foi do Estado em nome da saúde pública. Por isso, o mesmo Estado não deverá votar ao abandono, seja por ação ou por omissão, aqueles que se sacrificam todos dias em nome de alguns.

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