Um módico de bom senso

Nota à la Minuta
Terça-feira, 07 Abril 2020
Um módico de bom senso
  • Alberto Magalhães

 

 

Por vezes, o que falta aos técnicos de gabinete e aos académicos, para já não falar dos profissionais da política, é um pouco de contacto com a realidade. Também é verdade que, por vezes, falta aos jornalistas um módico de bom senso. Eis um exemplo. Carla Nunes, directora da Escola Nacional de Saúde Pública, é certamente uma autoridade na matéria. Tem sido ouvida em vários órgãos de comunicação social. Mas vejam esta passagem do artigo de Alexandra Campos, no Público de domingo:

“Carla Nunes prefere destacar a variável mais difícil de medir, a dos contactos entre pessoas. E os resultados do barómetro da Escola Nacional de Saúde Pública são preocupantes: cerca de 25% dos inquiridos (perto de 160 mil) ‘não estão a fazer o que deviam’, ou seja, continuam a sair de casa”.

Ora, cabe perguntar se esses 25% de alegados infractores, que continuam a sair de casa, não serão os mínimos indispensáveis para manter o país vivo. Hospitais, farmácias, supermercados, oficinas, transportes públicos, fábricas que produzem coisas úteis como viseiras, luvas e máscaras, para dar alguns exemplos.

Mas, perante a impossibilidade, tão óbvia, de haver 100% de portugueses fechados em casa, hesito. Foi mesmo isto que Carla Nunes quis dizer ou tudo não passa de um erro de interpretação, ou de exposição, da jornalista? Esta não deveria ter esclarecido a questão, imediatamente? Dá que pensar.

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