Um país adiado

Quarta-feira, 13 Outubro 2021
Um país adiado

Findo o processo autárquico, o espumante e as cervejas foram bebidos pelos vencedores e os lenços de papel gastos pelos vencidos. Houve, no entanto, quem nada ganhou, mas, mesmo assim, quis sentar-se à mesa dos festejos.

Temos, agora, a proposta do orçamento de Estado aprovada na sexta-feira passada, mas falta a sua votação na assembleia da república. No momento em que escrevo esta crónica tudo indica que o orçamento será aprovado na generalidade, pelos deputados que suportam o governo, os do partido socialista, mas também por comunistas, verdes, do pan e pelas deputadas não inscritas. A incógnita ou talvez não, é propriedade dos bloquistas.

O certo é que, teremos um orçamento despesista, sem o acompanhamento da economia e, consequentemente, mais dívida. O que corresponderá mais sacrifício para as gerações mais novas, disso não restam quaisquer dúvidas. Foi assim no passado, será assim no futuro.

O professor Cavaco Silva através de artigo publicado no fim de semana, faz duras críticas aos governos socialistas dos últimos vinte anos. Não posso deixar de o acompanhar até porque várias vezes o tenho escrito nestas crónicas. Para além de um país em empobrecimento continuo, há menos ricos e há mais pobres. E, em cima disto, existe uma classe média afogada em deveres fiscais.

De tudo isto o que mais me inquieta e me causa uma tamanha revolta como cidadão lúcido e que pensa pela própria cabeça, é ver o país a conviver tranquilamente com mais de dois milhões de pobres. A pandemia não é, nem poderá ser a explicação para tudo o que de mal existe no país. Este governo tomou posse há quase seis anos, sendo apoiado pelos partidos da extrema-esquerda, mas nada fez para mitigar esta calamidade social. Uma só palavra: Inaceitável!

Por último, o episódio de má memória ocorrido no último debate da nação, não dignifica em nada a função de primeiro-ministro. O dr. Costa é primeiro-ministro de uma nação com mais de oito séculos de história, por isso, enquanto terceira figura do Estado tem deveres acrescidos. Em circunstância alguma poderá destratar um deputado como o fez. A democracia não fica mais pobre só com a diminuição dos debates com o governo, também fica com a falta de qualidade das intervenções dos representantes dos órgãos de soberania.

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