Um passo à frente, outro ao lado e dois atrás

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 09 Julho 2021
Um passo à frente, outro ao lado e dois atrás
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, o Governo levantou o cerco de fim-de-semana à área metropolitana de Lisboa, cuja alegada intensão era impedir a variante indiana (agora chamada ‘delta’ para evitar pragas e maldições sobre a Índia) de se espalhar pelo país. O Governo justifica a suspensão do cerco com uma confissão: não impediu a disseminação da variante por todo o país. Já se sabia. Eu próprio disse aqui, a 18 do mês passado, que a medida era “de eficácia mais que discutível, de imposição quase impossível de garantir e, pior, de inconstitucionalidade gritante”.

Mas não quis o Governo, apesar de tudo, dar mostras de desistir de nos orientar neste tormentoso mar da pandemia com algumas regras mais ou menos tolas de fim-de-semana. Assim, nos concelhos de risco alegadamente elevado ou muito elevado, para comer num restaurante – excepto nas esplanadas – é preciso apresentar certificado de vacinação completa ou um teste. Este pode ser PCR, válido por 72 h, um teste antigénio com relatório laboratorial, válido por 48 h, um auto-teste rápido testemunhado por profissional de saúde ou farmacêutico, válido por 24 horas, ou o mesmo teste, feito na hora, testemunhado pelo chefe-de-sala ou o empregado de mesa da casa de pasto. As mesmas exigências, mas para todo o país, põem-se no check-in em hotéis ou similares. Excetuam-se destas medidas as crianças com menos de 12 anos.

Ainda bem que temos governantes, autoridades de saúde e especialistas que insistem paternalmente, face ao vírus que cada um de nós teme, em virar e revirar o leme, sempre com vontade de melhor servir Portugal. O povo agradece o desvelo. O país vai andando, um passo em frente, outro ao lado e dois atrás.

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