Uma dezena são dez

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 12 Dezembro 2019
Uma dezena são dez
  • Alberto Magalhães

 

 

“A escassos dias do final da segunda década do século…”. Começa assim o editorial de ontem do Público, talvez o jornal mais identificado em Portugal com o chamado “jornalismo de referência” (abro um parêntesis para pedir perdão por não dizer, consoante a moda hoje quase obrigatória, “aquele que é o jornal mais identificado com aquilo que é o jornalismo de referência”).

Pois, Manuel Carvalho, director do jornal, dá-nos um claríssimo exemplo do que é o horror à matemática e à ciência, demasiado presente no país e há demasiado tempo. A fobia está tão entranhada e consolidada que o mais elementar raciocínio da mais elementar lógica matemática é evitado, como se a esse respeito, cabeças noutros domínios quiçá brilhantes, estivessem excessivamente traumatizadas por anos de violência pedagógica.

Repare-se que bastaria ao conceituado jornalista pensar assim: – por cada ano conto um dedo; duas décadas são vinte anos, logo, vinte dedos e não dezanove. Só se eu tivesse o dedo zero…Ano zero da era cristã? Não pode ser! Um ano é o tempo que dura uma volta da Terra em redor do Sol. O que é uma volta zero? Não há volta a dar, não existe volta zero. Tal como não existe o ovo zero, numa dezena de ovos. Em resumo, só depois de comida a 10ª cereja poderemos dizer que comemos uma dezena de cerejas e, por isso, o século XXI começou em 1 de Janeiro de 2001.

Julgava eu que isto já estava bem estabelecido, ao menos na cabeça dos jornalistas de referência.

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