Uma proposta insana – parte I

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 15 Outubro 2020
Uma proposta insana – parte I
  • Alberto Magalhães

 

 

O país volta hoje ao estado de calamidade e o conselho de ministros tomou ontem algumas medidas acertadas (reforço da fiscalização do cumprimento de normas sanitárias; agravamento das coimas para o comércio e restauração que não assegure esse cumprimento; recomendação para o uso nos telemóveis da App Stay Away Covid, e de máscara social ao ar livre, quando não se possa manter o distanciamento recomendado).

Mas, o Governo, também tomou medidas de racional pouco claro. Porquê passar de 10 para cinco o número limite de pessoas juntas na rua ou num restaurante? Por que não seis, três casais, por exemplo; porquê o máximo de 50 convidados num casamento? Num espaço pequeno 50 serão demais, um espaço maior suportará mais gente em segurança.

Entretanto, o Governo enviou para o Parlamento uma proposta absolutamente insana. Não em relação à obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre, discutível mas adoptada com algum sucesso em vários países. A parte com perfume de loucura é outra e tenta que os deputados da Nação tornem obrigatório o uso da App StayAwayCovid, contra a qual, informo desde já, não tenho nenhuma teoria da conspiração, sendo certo que a instalei no meu telemóvel logo que ficou disponível. Então qual é o problema? Bom, são tantos que não cabem todos nesta nota.

Hoje, fico-me pelo mais evidente: quando António Costa anunciou a medida, a impossibilidade material da sua concretização tornou-se óbvia – a grande limitação da aplicação StayAwayCovid é ser muito selectiva e pedir um smartphone mesmo muito esperto. Por exemplo, um iPhone 6 não é capaz de a instalar e tudo o que seja menos que Android 6, parece que também não. Alertado para este facto simples, o Governo não foi de modas. Só serão multados os que tiverem bons smartphones, à altura da aplicação socialite.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com