Uma proposta insana – parte II

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 16 Outubro 2020
Uma proposta insana – parte II
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, tratei da primeira razão (e mais óbvia) para se questionar a sanidade da proposta governamental de tornar obrigatório o uso da App StayAwayCovid: o software só corre em smartphones Apple e Android, e só nos modelos recentes, deixando de fora, provavelmente, a maioria dos portugueses. Tendo percebido isso, talvez à última da hora, o Governo limita a obrigatoriedade aos possuidores de bons telemóveis, introduzindo uma gritante desigualdade perante a lei.

– Mas, pergunto eu de seguida, quem fiscaliza? Responde o Governo: – a polícia. Vamos então à segunda razão (também óbvia para qualquer alma não enebriada pelo stress): É impensável a fiscalização do cumprimento desta obrigação: – a senhora tem telemóvel – pergunta o guarda – posso vê-lo? Qual é o modelo? Introduza a password para eu verificar se tem a App instalada e o ‘bluetooth’ ligado. Não? Tenho indicação de que é reincidente, a coima são 500 euros. Ou em alternativa: Não tem telemóvel? Custa-me a crer. Vai ter de me mostrar o que traz na malinha.

Não é preciso ser constitucionalista para perceber que estas situações são inconcebíveis. Portanto, impõe-se a pergunta: António Costa, que aparenta manter as suas faculdades mentais, sentiu que precisávamos de um abanão, como afirma, ou quis distrair-nos, tirando o palco ao BE? A não ser…

Bom, se os utilizadores da StayAwayCovid saltarem do milhão e meio actual para os três milhões numa semana, tire-se-lhe o chapéu. A proposta aparentemente totó, será afinal uma magnífica manobra de marketing.

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