Uma proposta insana – Parte III

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 19 Outubro 2020
Uma proposta insana – Parte III
  • Alberto Magalhães

 

 

Segundo o Público de sábado, entre o dia 29 de Agosto e a sexta-feira passada – dia em que já existiam dois milhões de telemóveis com a StayAwayCovid instalada – apenas 730 pessoas infectadas receberam de um médico o código para introduzir na aplicação, e destas, apenas 300 decidiram fazê-lo, avisando as pessoas que poderiam ter sido por elas infectadas. É que parece que, para um doente infectado, é mais difícil obter o código (quando nos foi dito que ele seria fornecido pelo nosso médico de família) do que para a administração do Hospital de Évora encontrar especialistas interessados em trabalhar no serviço de urgência pediátrica.

Ademais, sabendo-se que um milhão de portugueses não tem médico de família, talvez fosse até preferível o tal código vir do laboratório junto com a análise positiva, num golpe simplex bem dado. Mas não, os conselheiros de António Costa, qual espelho mágico, mas sem a proverbial sinceridade, em vez de lhe dizer que a aplicação anda a ser tão mal aplicada que até mete dó, resolveram convencê-lo (a ele que detesta ser autoritário) a tornar a coisa obrigatória. Aliás, como se viu, na entrevista a Maria Elisa, no Facebook do PS na tarde de sábado, até o convenceram a mentir (a ele que detesta mentir) dizendo que a ideia era a coisa ser obrigatória, mas não de forma coerciva, estando posta de lado a intervenção da polícia.

Ora, imaginem agora o senhor primeiro-ministro (logo ele que não gosta de pedir desculpa) confrontado pelos jornalistas com o artigo 5º da proposta de lei insana sobre a StayAwayCovid, que reza assim: “A fiscalização do cumprimento das obrigações previstas na presente lei compete à Guarda Nacional Republicana, à Polícia de Segurança Pública, à Polícia Marítima e às polícias municipais”.

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