Uma quadra festiva conturbada

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 04 Janeiro 2021
Uma quadra festiva conturbada
  • Alberto Magalhães

 

 

Portugal está hoje, oficialmente, de luto pela morte de Carlos do Carmo, às primeiras horas do novo ano. Ele, que se fez homem de cantar, sobretudo fado, merece a homenagem, por tantos anos a cumprir essa missão para nosso regalo.

Estas semanas à roda do solstício de Inverno, habitualmente festivas, com glória a Deus nas alturas, para os crentes, e paz na terra entre os homens, pelo menos os de boa vontade, turvaram-se, desta vez, mercê da pandemia.

Pior, como se não bastasse o coronavírus, com as suas exigências anti-conviviais e consequentes prejuízos em múltiplas fileiras empresariais, outras nuvens ensombraram a quadra natalícia nesta, não sei se ditosa se desditosa, pátria amada.

Hoje, limito-me a enunciar algumas dessas “nuvens”, que me levaram a um consumo exagerado de sais de frutos, nos últimos 15 dias. Assim, o INE, no princípio de Dezembro, publicou dados do Inquérito à Fecundidade de 2019, que nos dão a perceber a situação cada vez mais catastrófica da demografia portuguesa. Depois, tivemos o caso da Torre Bela, onde o ministro do Ambiente brilhou, de novo, pela dialéctica conciliação do inconciliável. A seguir, a ministra da Justiça aparece a apelidar de lapsos sem importância a falsificação, pelos serviços do seu ministério, do curriculum vitae do procurador que o Governo impôs a Bruxelas. Para acabar em beleza, o Tribunal Constitucional e o ministério da Administração Interna, capricharam em encabeçar os boletins de voto para as presidenciais com um tal de Eduardo Baptista, que apresentou (não 7500 assinaturas válidas, mas) onze-assinaturas-onze, das quais seis-válidas-seis. É fado?

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