Uma sina, um fado!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 17 Janeiro 2018
Uma sina, um fado!
  • José Policarpo

Será que é uma sina, um fado, deste país, que, em 2043 fará novecentos anos, desde da sua fundação, ter que viver intimamente com a tragédia? Ou são tragédias financeiras, ou são tragédias que resultam em perdas de vidas humanas e materiais, muito significativas. Com efeito, os dois grandes incêndios, de junho e de outubro, do ano que terminou, são exemplos de tragédias absolutamente marcantes, que beliscaram profundamente a auto estima coletiva, dado o número inexplicável de mortes verificadas.
Na verdade, a tragédia do último fim-de-semana ocorrida no concelho de Tondela veio avivar as tragédias do ano passado na memória coletiva dos portugueses. Porém, neste caso, alegadamente, as forças de segurança e proteção civil estiveram à altura das necessidades, evitando desse modo, mais mortes do que aquelas que sucederam, segundo as autoridades politicas que aí se deslocaram.
Outra coisa bem diferente, em minha opinião, foi o silêncio referente às causas das mortes, até ao momento, em número de oito. Embora os populares referissem que terá sido uma salamandra que deu causa ao incêndio e uma porta que liga a coletividade ao exterior, que ninguém a terá conseguido desimpedir pelo facto de abrir para o lado de dentro. O certo é que as pessoas que morreram não conseguiram sair do local.
Ora, talvez haja causas indiretas que determinaram as mortes verificadas e, que nos momentos seguintes ninguém terá referido, tanto os populares, como as autoridades que no próprio dia e no dia seguinte se deslocaram ao local da tragédia. Por isso, há perguntas às quais têm de ser dadas respostas cabais e claras sob pena de situações iguais possam vir a sucederem mais vezes.
Os países para se afirmarem neste mundo cada vez mais competitivo e global, necessitam que as suas populações sejam solidárias e disponíveis para ajudarem as vítimas de catástrofes. É uma verdade que o Senhor de La Palice não diria melhor… Contudo, um país que, a maioria das vezes, seja reativo, que só atue para remediar os problemas que surgem no seu quotidiano, não terá um futuro risonho, nem auspicioso.
Assim, só com educação, informação, prevenção, regulamentação e fiscalização, poderemos olhar enquanto comunidade politicamente organizada, para um futuro mais consentâneo com o dos países mais desenvolvidos, em que as tragédias são pontuais, e, não uma coisa, muito infelizmente, recorrente, como sendo uma fatalidade inelutável.

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