Urgência pediátrica exige solução Urgente

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 17 Outubro 2022
Urgência pediátrica exige solução Urgente
  • Helena Figueiredo

 

Na espuma dos dias as notícias “da moda” vão fazendo esquecer muitas vezes as questões verdadeiramente importantes que acabam por só sair para a ribalta quando nos batem à porta ou alguma desgraça acontece.

Vem isto a propósito de uma questão, direi antes um problema, com que nos debatemos há vários anos no distrito e na região e que é bem conhecido de quem tem crianças pequenas.

Falo de serviços de saúde pediátrica e neonatologia e, mais uma vez, da Urgência Pediátrica do Hospital do Espírito Santo, das dificuldades com que se debate, da falta aflitiva de pediatras e de como apenas vai respondendo às necessidades graças ao esforço e dedicação dos seus pediatras, que merecem todo o nosso reconhecimento.

Desde há anos que o número de pediatras é muito insuficiente, desde há anos que o serviço de neonatologia apresenta especial dificuldade, desde há anos que a Administração do HESE não consegue assegurar a renovação da equipa médica e agrava-se a redução do número de pediatras com mais de 50 e 55 anos de idade para assegurar os bancos de urgência. Desde há anos que o Hospital do Espírito Santo não consegue fixar os médicos internos que acabam por, findo o internato, procurar outros hospitais, tudo isto pondo em causa o funcionamento normal, e a idoneidade formativa do hospital, o que reduz a capacidade de ter internos de pediatria. Lembramo-nos certamente da resposta que a Administração encontrou para estas dificuldades na Urgência pediátrica, e que foi a “reorganizou” integrando-a na Urgência Geral, ou seja colocando-a sob a direcção de um médico não pediatra.

Mas até quando a situação se pode manter? E está ou não a piorar?

Chegou recentemente ao meu conhecimento que a situação se agravou de tal forma que se registaram já situações em que a Urgência de Pediatria do HESE foi assegurada apenas por um pediatra e um interno/tarefeiro.

Ora, é preciso ter em conta que o Hospital do Espirito Santo é o único hospital do Alentejo com serviço de neonatologia e que as suas urgências servem não apenas as crianças do Distrito de Évora, que de se estimam em mais de 25.000, mas que são também chamados a dar resposta a situações que os hospitais de Beja e Portalegre não consigam responder.

Ou seja, estamos a falar de um Serviço de Pediatria e de uma Urgência Pediátrica que pode ter de responder a uma população de muitas dezenas de milhares de crianças.

Por muito difícil que seja recrutar pediatras, um pediatra e um interno/tarefeiro não podem ser a resposta de Urgência de Pediatria e é responsabilidade da Administração do Hospital, da ARS e do Ministério da Saúde dar resposta de saúde de qualidade às crianças da nossa região e às suas famílias. É preciso dar uma carreira, condições de trabalho e remuneratórias aos jovens pediatras para que optem por se instalar no interior e ficar no Hospital do Espírito Santo. E se é certo que o novo Hospital Central em construção poderá ajudar a melhorar a situação, precisamos de uma resposta Agora!

Quem administra a Saúde na nossa região tem de ter a capacidade para encontrar respostas de saúde de qualidade para as nossas crianças, não podemos aceitar que tenham de ir receber tratamentos longe da família, porque têm direito de ser tratadas na região onde vivem.

Até para a semana!

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