Urnas com vestígios de restos mortais descobertos num canavial junto a cemitério de Évora

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 19 Outubro 2022
Urnas com vestígios de restos mortais descobertos num canavial junto a cemitério de Évora
  • Maria Paula Pita

 

Na passada semana, Évora tomou conhecimento de um cenário de horror que deixou todos os eborenses sobressaltados, não só pelo ato ilícito em si, mas por mexer com o sagrado, com o após morte. Sejamos, ou não, crentes, vandalizar, negociar, destruir a última morada dos entes queridos, é um golpe que nos atinge profundamente. Quem não respeita os mortos, não respeita nada, nem ninguém. Desde o início da Humanidade, que o Homem mostra respeito pelos seus mortos através dos enterramentos e de ritos funerários. Vandalizar cemitérios e sepulturas é próprio de gente bárbara, sem princípios e moral. O que todos perguntamos, é como foi possível acontecer, com tal desplante, que abandonavam urnas, e a acreditar na reportagem da TV, com vestígios humanos, em terrenos baldios junto ao cemitério? Como é que nunca ninguém que lá trabalha ou faz voluntariado, deu por isso? Participavam todos? Ou os que andam de bicicleta, corredores… também nunca viram os caixões? A ser verdade a existência de denúncias de familiares perante exumações de que não tinham tido conhecimento e outras irregularidades, porque é que ninguém averiguou?

A estas questões, juntam-se outras. O negócio está limitado ao Cemitério do Espinheiro, ou estende-se ao Cemitério dos Remédios e aos outros cemitérios do concelho? Há anos que o Cemitério dos Remédios está lotado, mas continuam a existir enterramentos. São “legais” ou resultado destas negociatas?

Pelo que percebemos, o caso já está a ser tratado pelo Ministério Público. Sabendo a morosidade da justiça portuguesa, quanto tempo esperaremos para sabermos os meandros desta negociata macabra? Quais os seus intervenientes? Que consequências para os putativos culpados?

E quanto à atuação da Câmara Municipal de Évora? Pelas suas palavras escritas, o Presidente, decidiu, nos termos da lei, ordenar a abertura de um processo de inquérito às alegadas irregularidades, práticas condenáveis e graves situações apontadas. Será suficiente para acalmar a população? Que cada vez se sente mais dissociada de quem os governa. O município tem que mostrar um maior empenho em resolver situações quotidianas, tem que pressionar os seus dirigentes intermédios a ouvir os munícipes, a garantir uma política de proximidade, sob pena de casos como estes tornarem-se rotineiros.

Eu, e todos os eborenses, iremo-nos manter atentos e seguir os desenvolvimentos deste caso que nos envergonha a todos.

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