Vacinação de crianças

Nota à la Minuta
Terça-feira, 14 Dezembro 2021
Vacinação de crianças
  • Alberto Magalhães

O documento da Comissão Técnica de Vacinação contra a COVID-19 da DGS, que dá parecer favorável à vacinação das crianças a partir dos 5 anos, refere a variante Ómicron da seguinte maneira (e cito): ”O atual contexto epidemiológico, à escala global, é de incerteza, nomeadamente pela circulação emergente da variante Ómicron, sendo expectável que surjam novos dados nas próximas semanas. Com base na informação disponível, a variante Ómicron pode originar uma incidência mais elevada nas crianças com 5 a 11 anos do que aquela que foi assumida na análise risco-benefício”.

Mas a 10 de Dezembro, no semanário Expresso, a jornalista Vera Lúcia Arreigoso, acrescenta, erradamente, a esta citação a seguinte conclusão (e vou citar) “isto é, poderá ser maior o número de crianças doentes com gravidade”. Exemplo gritante do que é tresler um documento, como se um maior número de casos fosse sinónimo inevitável de mais casos graves.

Desculpem os ouvintes a insistência: a vacinação das crianças tem vantagens óbvias, por mais teorias da conspiração que os antivac invoquem e, também, por mais parvoíces que os próvac inventem e por mais pânico injustificado que provoquem, para convencer os pais indecisos a vacinar os filhos.

A vacinação não elimina, mas reduz, a probabilidade da criança ser infectada e da criança infectar. A vacinação tem um risco diminuto de causar miocardites ou pericardites ligeiras e, ainda mais diminuto, de causar sindromas inflamatórios multissistémicos, mas nas crianças não-vacinadas que apanhem Covid-19, o risco é dezenas de vezes maior.

O argumento de que vacinar crianças para salvar adultos é antiético é um pobre argumento: as crianças precisam de pais e avós, precisam de adultos saudáveis e com emprego, precisam de ir à escola regularmente.

Obviamente que a paranóia contra as farmacêuticas implica a desconfiança total e totalmente doentia acerca dos nossos sistemas de regulação social. Mas também se alimenta do paternalismo – entre o autoritário e o protector – de certos especialistas, autoridades de saúde e políticos que, demasiadas vezes, destratam o povinho ou o confundem com regras estúpidas ou contraditórias.

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