Vacinas ou ilusões?

Nota à la Minuta
Terça-feira, 17 Novembro 2020
Vacinas ou ilusões?
  • Alberto Magalhães

 

 

 

Há, pelo menos, 50 anos que se procura uma vacina para a malária. Durante esse período, morreram milhões de pessoas com a doença. Só em 2018, foram 400 mil os óbitos. A única vacina aprovada, a Mosquirix, é administrada em 4 doses e tem uma eficácia muito baixa.

Desde 2010 que uma equipa do Instituto de Medicina Molecular, liderada por Miguel Prudêncio, tenta encontrar uma vacina mais eficaz contra o Plasmodium, o parasita unicelular que provoca a malária. Em Maio deste ano, publicou um artigo anunciando o encerramento com êxito da 1ª fase de ensaios clínicos, que envolveu 24 voluntários saudáveis. A Fundação Bill & Melinda Gates apostou, até agora, mais de 3 milhões de euros neste projecto. Resta dizer que a malária é, para todos os efeitos práticos, doença de pobre.

Compare-se com a covid-19. Em menos de um ano, a doença que não escolhe latitudes, conseguiu mobilizar empresas farmacêuticas de todo o mundo. Em Junho, a OMS contava 133 projectos de vacina. Neste momento, parece que ainda prosseguem cerca de meia-centena. Diz-se que a “necessidade aguça o engenho”, mas a ganância, se incita a ligar o turbo, pode ser perigosa, levando ao relaxamento das regras de segurança.

Vacinas que se anunciam para Janeiro, ou mesmo antes, com eficácia acima de 90%, mas sem estudos publicados e revistos pelos pares, merecem ser recebidas com cautela e sem foguetes antecipados. Quem, pelo poder do desejo, embarcar em grandes ilusões, pode vir a sofrer uma grande desilusão.

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