Vicissitudes de um Orçamento

Nota à la Minuta
Terça-feira, 24 Novembro 2020
Vicissitudes de um Orçamento
  • Alberto Magalhães

 

 

A dois dias da votação final do Orçamento Geral do Estado, o PCP mantém o suspense sobre o seu sentido de voto, tentando arrecadar a aprovação de mais umas propostas suas, na especialidade. A direcção de Jerónimo de Sousa, depois dos fiascos eleitorais sofridos em tempos de geringonça, precisa dessas vitórias para apresentar no congresso deste fim-de-semana.

Quanto ao BE, já deu a conhecer a sua jogada – votar contra – embora fingindo que ainda se esforça por mantê-la em aberto. Espera que o desgaste nas sondagens de hoje por se afastar do governo de esquerda, se traduza em votos descontentes quando a crise se aprofundar em 2021 e, eventualmente, forem convocadas legislativas antecipadas.

Embora sem maioria absoluta nas eleições de 2019, António Costa, tendo as contas do país bem encaminhadas, pensou poder controlar os parceiros da geringonça, mesmo sem acordos parlamentares formais. Inclusive depois do início da crise pandémica, depois de se vislumbrar um futuro nada brilhante para a economia e as contas públicas do país, Costa manteve a estratégia de aprovar, à esquerda, este Orçamento.

Resta saber se, nas actuais circunstâncias do país, tendo uma direita em cacos e um Rui Rio colaborante, puxando o PSD para o centro e disposto a compartilhar responsabilidades no enfrentamento da enorme tempestade que nos espera, não terá sido um erro enorme de António Costa, recusar a mão de Rui Rio e insistir em “puxar” o Orçamento para o lado da extrema-esquerda. Este Orçamento, se for aprovado nestas condições, será o Orçamento que o país precisa?

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