Volte-face

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 16 Fevereiro 2024
Volte-face
  • Rui Mendes

Volte-face quererá dizer uma mudança súbita de opinião, de circunstâncias.

Ora, é isto que temos vindo a assistir com as posições defendidas por alguns dos nossos ministros, agora, na sua grande parte, candidatos a deputados.

Após a apresentação da proposta de orçamento para 2024 assistimos logo a esse volte-face, mais visível nas propostas chave do orçamento que se tornaram impopulares.

Uma das medidas que sofreu essa alteração foi a célebre subida do IUC, medida defendida pelo Governo e que veio a cair porque com a mudança da situação política havia que não aplicar medidas impopulares.

Contudo, houve particularmente duas matérias que os vários governos de António Costa nunca cederam: a reposição do tempo de serviço dos professores e a eliminação das portagens nas antigas Scut no interior do país e no Algarve.

Durante anos fomos vivendo com a permanente contestação a estas medidas.

Durante anos os ministros da Educação persistiram em manter uma posição de total inflexibilidade para a não contagem do tempo de serviço dos professores. Subitamente, de um dia para o outro, sabe-se bem porquê, o atual ministro da pasta mudou de opinião.

Durante anos os vários ministros assumiram a necessidade de manter as portagens das Scut, alegando questões orçamentais, e assim mantiveram o pagamento das portagens.

Durante oito anos os nossos ministros ficaram imunes a todas as pressões e mantiveram uma posição inflexível, independente da dimensão das contestações, ou da bondade dos argumentos a favor das alterações.

Só que as próximas eleições legislativas provocaram vários volte-face na posição dos ministros.

Mudou o contexto político, pelo que as matérias que foram sendo fortemente contestadas, são agora defendidas por aqueles que nunca aceitaram a sua mudança.

Contudo, não lhes fica bem esta súbita mudança de posição. Se acreditavam no que defendiam devia ser essa a sua atual posição. E se hoje defendem o oposto do que defendiam há poucos meses atrás é porque não têm uma posição própria. Defendem o que lhes dizem para ser defendido. Nada mais.

Tudo isto acontece porque o que importa é manter o poder, independentemente dos custos das medidas. Só assim se compreenderá que medidas que eram inexequíveis, hoje surgem como medidas justas e possíveis de serem aplicadas.

Mas, acima de tudo, são medidas de oportunismo político.

Até para a semana

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