Pediatras de Évora querem medidas urgentes e sólidas

Pediatras de Évora querem medidas urgentes e sólidas

Segunda-feira, 12 Outubro 2020
Alentejo

Vinte e um pediatras do hospital de Évora assinaram um manifesto a defender “medidas urgentes e sólidas” que tornem “viável a sobrevivência” do Serviço de Pediatria.

O documento, cujo primeiro subscritor é o diretor do Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), Hélder Ornelas, é apoiado por apoiado por 10 internos deste serviço.

No manifesto, os especialistas justificam o documento como “a tentativa derradeira para que seja prestada atenção ao Serviço de Pediatria”.

“A face mais visível do problema” coloca-se no Serviço de Urgência Pediátrica, escrevem, mas avisam que “escondido atrás deste está um maior, a viabilidade da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais”.

“Sem reforço de recursos humanos, a unidade pode fechar já a partir de 01 de novembro”, alertam.

Os subscritores do manifesto garantem que “desde 2016 foram sistemáticos os apelos” ao conselho de administração do HESE e à ARS do Alentejo sobre a escassez de recursos humanos e que as “múltiplas cartas [ficaram] sem resposta”.

“Em 2019, a equipa enviou à Ordem dos Médicos e ao conselho de administração o seu pedido de escusa de responsabilidade profissional por alguma situação que, não obstante o seu esforço, decorresse do facto de trabalharmos em condições que não permitem o exercício seguro da medicina. Não obtivemos resposta”, realçam.

E em 2020, prosseguem, a pandemia de covid-19 “veio pôr a descoberto e agravar uma carência já irreversível”.

Segundo o manifesto, o corpo clínico é constituído por 23 pediatras, dos quais quatro estão a gozar licença de maternidade/baixa por gravidez, três de baixa médica, um de licença sem vencimento, três com horário reduzido e um a exercer as funções de direção.

“Dos 15 profissionais em exercício de funções atualmente, a média etária é de 53 anos”, adianta, referindo que “estes pediatras dividem-se em dois serviços, a pediatria (composta pela enfermaria, consulta, hospital de dia e urgência de pediatria) e a Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais”.

Os dois serviços, salientam, têm “necessidade de assegurar assistência 24 horas por dia, todos os dias do ano” e cada um comporta uma “urgência com equipas distintas e que não se podem intersubstituir pelas especificidades das funções”.

Atualmente, adiantam, “apenas cinco pediatras exercem funções” no serviço, que “conciliam com a restante atividade, que não pode igualmente ser negligenciada”, o que é “insuficiente” para o manter “aberto ininterruptamente com dois pediatras como legalmente lhe compete”.

Comments are closed.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com